• CLONES Resistentes
    CLONES Resistentes

     

     

     

     

     

    Clones resistentes, Banco de Germoplasma, Portugal. 2014

  • CASTANHEIRO Centenário
    CASTANHEIRO Centenário

     

     

     

    Lagarelhos, Bragança, Portugal. 2014

  • POLINIZAÇÃO
    POLINIZAÇÃO

     

     

     

     

     

    Rebordaínhos, Trás-os-Montes, Portugal. 2013

  • SOUTO Paisagem de Inverno
    SOUTO Paisagem de Inverno

     

     

      

    Serra de São Mamede, Marvão, Portugal, 2014.

  • TALHADIA
    TALHADIA

     

     

     

     

       

    Serra de São Mamede, Portugal, 2014

  • AMENTILHOS
    AMENTILHOS

     

     

     

     

     

    Rebordaínhos, Trás-os-Montes, Portugal. 2014

  • OURIÇOS
    OURIÇOS

     

     

     

     

     

    Bragança, Trás-os-Montes, Portugal. 2014

  • OURIÇOS
    OURIÇOS

     

     

     

     

     

    Serra de São Mamede, Portugal. 2014

  • SOUTO Paisagem de Verão
    SOUTO Paisagem de Verão

       

     

     

    Serra de São Mamede, Portugal. 2014

bullit verde 1 As plantas: a sua importância e o projecto Percast

 

As plantas estão na base de toda a vida humana e também de muitos outros animais e organismos vivos. As plantas são o suporte de muitos ecossistemas e habitats, incluindo os geridos pelo homem através das suas actividades agrosilvícolas, abrangendo, entre outras coisas, a fixação das terras, a purificação das águas e a purificação e renovação do ar. As plantas estão, pois, na base da manutenção de toda a biosfera.

As plantas fornecem-nos alimentos, rações, medicamentos, drogas, matérias-primas para o vestuário, a habitação, a produção de energia, fibras e outras estruturas tecidulares, para o uso nas mais variadas tecnologias e aplicações artesanais ou industriais. Os recursos naturais que as plantas nos disponibilizam, e os serviços ligados à sua utilização, estão na base da sustentabilidade económica de muitas populações e comunidades, contribuindo, em muitos casos, como o principal factor e força económica de alguns países ou regiões. Uma outra forma de apreciar esta relação é compreender que a utilização desses recursos está na base da fixação das populações rurais.

Contudo, os processos associados ao actual movimento acelerado da globalização, particularmente aqueles relacionados com as alterações climáticas e a disseminação de doenças e pragas, têm vindo a demonstrar um quadro de ameaças e perigos que podem comprometer o importante papel que as plantas têm vindo a desempenhar enquanto fundamento da civilização humana.

Deste quadro sobressaem alguns aspectos de particular preocupação como são a perda da produtividade resultante não só da incapacidade das plantas actuais lidarem com as novas doenças e pragas, a que não estavam naturalmente preparadas ou adaptadas, mas também da acção das alterações climáticas que comprometem negativamente o desenvolvimento vegetativo. Esta acção é muitas vezes ocasionada pela modificação irreversível das condições edafoclimáticas propícias, com especial incidência nas questões referentes aos intervalos de amplitude das variáveis meteorológicas favoráveis, nos prazos sazonais certos, aos mecanismos do desenvolvimento dos órgãos reprodutivos, da polinização, do desenvolvimento embrionário e floral, e da maturação dos frutos, ou ainda pela simples degradação progressiva da qualidade estrutural e nutricional dos solos por acção contínua dos fenómenos de erosão. Por outro lado, as alterações climáticas e o desaparecimento consequente das manchas vegetais concorrem também, por reciprocidade dos mecanismos de rebound, para acelerarem e induzirem, com o tempo, modificações profundas nos ecossistemas e habitats, comprometendo gravemente a preservação dos recursos genéticos e da biodiversidade.

Nesta problemática associada às questões climáticas há que referir ainda que as alterações ambientais podem propiciar quer o alargamento de novos nichos de agentes bióticos patogénicos, invadindo áreas de plantas naturalmente desprotegidas, quer tornar as antigas áreas plantadas como já não favoráveis ao natural desenvolvimento das plantas, devido às questões ligadas aos mecanismos ecofisiológicos especialmente sensíveis de determinadas espécies vegetais. Num outro sentido, as alterações climáticas podem também tornar antigas áreas geográficas, outrora consideradas não propícias a determinadas espécies vegetais, em novas áreas agora favoráveis, incluindo as áreas em altitude, potenciando, em particular, quer o alargamento das áreas de cultivo quer a sua restruturação pela introdução de espécies não autóctones. Como é sabido, a introdução de espécies não autóctones pode ocorrer pela acção intencional do homem mas também pela invasão natural, mas potencialmente nefasta, das espécies alienígenas ditas 'invasoras'.

As referidas modificações e seus mecanismos surgem-nos, pois, como factores e forças que geram uma dinâmica evolutiva que cedo ou tarde condicionam e obrigam a reformular os fundamentos e os planos do desenvolvimento agroflorestal e da sustentabilidade socioeconómica das populações rurais e suas comunidades, e, numa visão mais abrangente, das actividades e dos agentes económicos que delas dependem. Dito de outra forma, o quadro de perigos e ameaças obriga-nos a pensar num quadro de desafios e oportunidades.

Neste contexto, a missão do PERCAST é contribuir para o aumento do conhecimento fundamental e aplicado na solução dos problemas associados às questões sobre os mecanismos bióticos e abióticos da agressão e da resposta das plantas, visando estabelecer processos para o melhoramento vegetal com recurso aos novos domínios e conhecimentos científicos e aos avanços tecnológicos da genómica, da ecofisiologia, da selecção precoce de clones, da propagação vegetativa, do breeding, e ainda promover a conservação de genótipos e outras estruturas genéticas, incluindo pelo uso da criopreservação.

O PERCAST detém uma posição única no contexto nacional da actual investigação e desenvolvimento porquanto é o único programa a nível nacional que se foca no género Castanea, com particular incidência na espécie C. sativa Mill.

Com o objectivo específico de investigar e produzir porta-enxertos resistentes de castanheiro, o enfoque dirige-se sobre a acção dos agentes patogénicos oomicetas do solo Phytophthora cinnamoni Rand. e P. cambivora, do ascomiceta Cryphonectria parasitica, e do insecto himenóptero Dryocosmus kuriphilus, promotores, respectivamente, dos comummente designados doença radicular da tinta, do cancro cortical e da vespa-das-galhas do castanheiro. Na prossecução deste objectivo, são ainda desenvolvidos novos produtos e processos relacionados com as tecnologias e os procedimentos nas áreas da micropropagação, da micorrização, da microenxertia e, também, do estudo e investigação sobre a compatibilidade genética entre porta-enxertos e garfos das várias variedades, com ensaios e testes sobre a adaptação edafoclimática nas várias regiões agrosilvícolas.

O projecto PERCAST, enquanto projecto de investigação fundamental, contribui não só para o desenvolvimento e apuramento das técnicas da utilização de marcadores moleculares e dos sistemas de mapeamento genético, mas também para a descoberta de genes, da sua estrutura e funcionamento, da sua localização e interacção. Paralelamente a este desenvolvimento, a conservação e preservação de genótipos, seja através da conservação in vitro ou ex vitro de pólen, de embriões, de sementes ou de plantas, contribui para um esforço global de preservação da biodiversidade.

O projecto PERCAST, através da implementação de um regime de angariação, treino e formação de bolseiros e colaboradores de investigação, contribui activa e positivamente para o desenvolvimento de competências científicas e técnicas dos recursos humanos que poderão ser posteriormente incorporados no mercado numa lógica de aumento de qualificação e valorização geral das empresas.

As plantas, e o castanheiro em particular, fazem parte do património natural da humanidade. A ameaça sobre a sobrevivência do castanheiro face a novos agentes bióticos, muitas vezes propagados pela acção do próprio homem, como é visível o que aconteceu já em alguns países com a redução dramática e quase total da área plantada, obriga-nos a reagir de uma forma responsável. Porém, a perda de biodiversidade resultante dessas ameaças fere-nos de outras maneiras. A nossa identidade cultural está profundamente enraizada no nosso ambiente biológico. As plantas e os animais são símbolos do nosso mundo, encontrando-se preservados em bandeiras, esculturas, e outras imagens que nos definem e as nossas sociedades também. Apreciar a beleza e o poder da natureza são eternas fontes de inspiração a todos nós. De outro modo, a natureza, e as plantas em especial, estão na base do nosso fascínio e encantação, alimentando a nossa curiosidade e a nossa vontade de investigar e compreender o mundo que nos rodeia e sustenta.